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14 de janeiro de 2009

Entrevista
“Quem canta na noite, nos bailes da vida, tem que saber um pouco de tudo...”

É assim que Alcione, umas das maiores intérpretes da música brasileira define a importância da “escola da noite” para os músicos que estão no mercado. Marrom também fala dos 36 anos de carreira, do seu dia-a-dia, mas não abre mão de deixar claro: “Minha vida particular só a mim pertence e não faço a menor questão de expô-la para ninguém”. Desse jeito maranhense de ser, Alcione é a entrevistada da BS da primeira edição de 2009.
SULBANDAS - BAILE SHOW - Quais são as principais lembranças da tua carreira?
Alcione - Ah, são muitas lembranças e emoções (risos). Bom, mas posso citar algumas curiosidades. Como, por exemplo, cantar na antiga União Soviética... Isso mesmo, antes da Perestroika, da abertura. Foi uma emoção muito grande porque era um país praticamente desconhecido por nós e estávamos meio cabreiros, não sabíamos, exatamente o que iríamos encontrar por lá. Ainda era a tal época da "cortina de ferro" e isso nos atemorizava um pouco. Sem falar que não podíamos transitar por lugar nenhum, éramos sempre acompanhados por seguranças e nada podia fugir ao "protocolo". Imagina isso pra um bando de brasileiros e sambistas! Mas foi muito bom e até conseguimos nos divertir, graças a Deus!
SULBANDAS - BAILE SHOW - Faz mais de 36 anos que lançaste o teu primeiro disco “A Voz do Samba”. Tirando as mudanças tecnológicas, o que destacas como principais mudanças que ocorreram na tua música?
Alcione - Todos crescemos, aprendemos com o tempo. No âmbito profissional, não é diferente. Naquela época era jovem, recém-chegada do Maranhão. De lá pra cá, conheci muita gente, grandes profissionais. Cantores, compositores, músicos e autores com os quais aprendi muita coisa e que também me apresentaram trabalhos maravilhosos. Mas não me sinto muito diferente do que era, só com maior capacidade de avaliação e um melhor leque de opções. Gostava de canções românticas, do samba, do forró, do reggae maranhense maravilhoso de minha terra. Gostava de standards internacionais e dos grandes ícones da música americana, francesa, italiana e dos nossos grandes ídolos nacionais. De cantoras como, por exemplo, Núbia Lafayette, Elza Soares. E continuo bebendo em todas essas fontes, reverenciando nossas divas e apreciando nossa multiplicidade de gêneros, ritmos musicais. Afinal, somos um país multifacetado e riquíssimo em cultura popular.
SULBANDAS - BAILE SHOW - Já circulaste em diversos palcos e pudeste compartilhar de grandes trocas musicais com diferentes músicos. Desses tantos, com qual mais aprendeste e te identificaste? Por quê?
Alcione - Sou nordestina e fui criada ao som do forró, do reggae, conforme mencionei. Mas também ouvia, nas emissoras de rádio da época, os clássicos da música internacional, os principais nomes da música brasileira, os grandes nomes do samba. Era um ecletismo total e minha geração cresceu em meio a essa profusão de informações e numa cultura diversificada, livre de preconceitos. Depois disso, cursei a chamada "escola da noite" e o ecletismo só poderia ser ampliado. Quem canta na noite, nos bailes da vida, tem que saber um pouco de tudo: as principais canções, os sucessos do momento e conhecer a obra dos artistas - nacionais e internacionais - mais importantes.
Muita gente, aqui e no exterior, me emocionou e ensinou muita coisa. Com mais de trinta anos de carreira e conhecendo tantos continentes e culturas diferentes, não poderia ser diferente. Acho que seria difícil mencionar este ou aquele... Mas tenho certeza de que minha carreira não seria bem sucedida se esquecesse os grandes músicos que me acompanham e os compositores que nos dão os sucessos. São esses profissionais que nos auxiliam a trilhar uma carreira e a chegar ao coração do público.
 
:: Você lê a entrevista da Alcione na íntegra em nossa edição Nº 01, Ano III, Janeiro/09::
 

:: ESTA ENTREVISTA FOI RETIRADA PARCIALMENTE DA REVISTA BAILE SHOW
Ano III, nº 01, Janeiro, 2009::

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