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01º de agosto de 2007

Entrevista
A saga do grupo Os Fagundes

A família sempre se reuniu para a música. A casa do vô Euclides Fagundes, no Alegrete, foi o local desse início. Em 2001, Euclides, Ernesto, Euclides Fagundes Neto e Antonio Augusto montaram um CD para a Galpão Crioulo Discos, formando, assim, o grupo Os Fagundes. O álbum vendeu que nem pastel em cancha de carreira.
Neste mês, entrevistamos Ernesto Vilaverde Fagundes, cantor, compositor, instrumentista e produtor artístico d´Os Fagundes. Ele nos conta um pouco a trajetória desse grupo.

 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Quais eram os objetivos dos Fagundes no início da carreira?
Ernesto Vilaverde Fagundes - O nosso objetivo é sempre o mesmo. Mostrar um Rio Grande, que venera as suas origens, mas que está cada vez mais aberto às sonoridades do mundo.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Após tantos anos de carreira, os objetivos foram alcançados?
Fagundes - A gente tem uma postura de estar sempre iniciando. Temos sempre o que aprender. Buscamos sempre novos objetivos.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - A cultura gaúcha se modificou no decorrer das décadas. No entanto, muitos ainda não aceitam essas novas possibilidades e acabam desconsiderando esses novos movimentos culturais, principalmente na música. Como vocês se posicionam em relação a esses conflitos que ocorrem?
Fagundes - Com a frase do poeta Luiz Menezes – “A tradição não tem medo do tempo”.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Em que estilo musical podemos classificar Os Fagundes? E por quê?
Fagundes - Os Fagundes fazem música regional gaúcha com influências latinas e brasileiras. Nós temos cinco gerações no palco. O tio Nico, o Pai Bagre, o meu mano mais velho Neto, eu e o nosso caçula o Paulinho Fagundes. Cada um nós tem um estilo. E a soma de cada um dá a sonoridade única dos Fagundes – poesia, gaitinha de 4 baixos, vozes, violão, guitarra e bombo legüero.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Como é a relação dos Fagundes com os diferentes estilos musicais que estão no cenário gaúcho e brasileiro?
Fagundes - Sempre com o maior respeito.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Vocês não sofrem muitas críticas dos outros movimentos por transitarem entre o CTG, nativismo, pop, rock entre outros estilos musicais?
Fagundes - Acho que esse tipo de crítica nós não recebemos. As pessoas têm o direito de gostar ou não da nossa música. Mas poder circular entre todas essas tendências artísticas do nosso Estado é um grande mérito do nosso trabalho.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Como é a posição do grupo em relação a que muitos intelectuais dizem que a imagem do orgulho de ser gaúcho é algo falso e inventada para apenas uma semana no ano?
Fagundes - Nós todos sabemos que não é só uma semana no ano. Intelectuais???? Prefiro o Érico Veríssimo, o Barbosa Lessa, Simões Lopes Neto, Antônio Augusto Fagundes e tantos outros, que, falando da sua terra se tornaram universais.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Os Fagundes agradam tanto jovens, adultos, idosos quanto ricos e pobres. Quais as estratégias do grupo utilizadas para alcançar essa diversidade de públicos?
Fagundes - Não tem estratégia. Tem verdade, sentimento e amor ao que a gente faz.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Olhando para o passado, o que mudou na estrutura dos Fagundes desde o início da carreira até hoje?
Fagundes - Tudo é mais profissional. O máximo de cuidado com tudo e cada vez mais o respeito com o nosso público.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Qual o momento mais emocionante na trajetória do grupo? Conte-nos um pouco como foi este momento?
Fagundes - Sem dúvida, a volta do tio Nico aos palcos, depois de ter tido um AVC e ficado no hospital por muito tempo – nesse período fizemos o 1ºCD dos Fagundes (2001) - e no lançamento (Theatro São Pedro) o tio estava recuperado e conosco no palco. Foi uma baita emoção para todos nós.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Vocês conseguem diferenciar a relação pessoal, familiar, com a profissional? Como vocês trabalham com as divergências internas do grupo?
Fagundes - As divergências elas são resolvidas, ou não, com muita fala, discussão, etc. O profissionalismo tem que falar mais alto.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Durante toda a trajetória do grupo, algum componente do grupo já pensou em desistir de continuar nos Fagundes? Caso a resposta for positiva, quais os motivos que ele alegou?
Fagundes – Felizmente, não. Acho que o segredo de sempre estarmos juntos é que cada um tem projetos individuais. O tio Nico – Zero Hora, palestras, TV, Rádio Rural. O pai Bagre – Diário Gaúcho, Advogado, Conselheiro do Inter, política. O Neto – Galpão Crioulo (TV), Rádio Atlântida FM, shows solo. Eu Ernesto – Rádio Rural, produções artísticas, shows solo. O Paulinho – acompanha outros artistas e faz shows solo também. Isso nos faz comemorar cada encontro da família rumo aos espetáculos.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Muitos artistas reclamam das gravadoras por diferentes motivos. Como é a relação dos Fagundes com as gravadoras?
Fagundes - A relação é boa. Os nossos discos individuais foram feitos pelas gravadoras Usa Discos e Acit do RS. Mas os 3 CD’s e o DVD dos Fagundes é pela Galpão Crioulo Discos.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Os Fagundes já pensaram em gravar um CD independente, sem a participação direta das grandes gravadoras?
Fagundes - Acho que esse é o caminho do futuro na discografia. Parcerias!
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Quais são os projetos para o futuro dos Fagundes?
Fagundes - Os Fagundes estão preparando o 2º DVD para o final do ano.
 
SULBANDAS – BAILE SHOW - Para encerrar, deixem um recado para os muitos fãs dos Fagundes que lêem a Revista Baile Show e que sempre prestigiam as letras do grupo.
Fagundes - O nosso carinho aos gaúchos e às gaúchas de todas as querências. Nos acompanhem pelo site www.osfagundes.com.br, pelo Galpão Crioulo (RBS TV), Rádio Rural AM 1120 (programas A Hora do Mate e Galpão do Nico), Jornal Diário Gaúcho - coluna Gauchesco e Brasileiro (Sábados) e Jornal Zero Hora - coluna Antônio Augusto Fagundes (Segundas). Gracias, pela parceria!
 

:: ESTA ENTREVISTA FOI RETIRADA INTEGRALMENTE DA REVISTA BAILE SHOW
Ano III, nº 12, Maio 2007::

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